Entender o hábito

“Nada mais curioso do que os hábitos. Quase ninguém sabe que os tem.” Agatha Christie

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Os hábitos são formados pelo nosso cérebro, com o objectivo de poupar energia.

Quando está instalado é como se estivéssemos em piloto automático, fazemos as coisas sem precisar pensar na quantidade de tarefas envolvidas.

Por exemplo: tirar o carro da garagem de marcha atrás. Quando aprendemos a conduzir, fazer isso exigia uma grande concentração. A tarefa envolve abrir a garagem, destrancar a porta do carro, ajustar o banco, inserir a chave na ignição, girá-la em sentido horário, mexer nos retrovisores e conferir se não há obstáculos, colocar o pé no travão e embraiagem, engatar a marcha atrás, tirar o travão de mão, estimar mentalmente a distância entre a garagem e a rua enquanto você mantém as rodas alinhadas e observa o trânsito no sentido contrário, calcular como as imagens reflectidas nos espelhos se traduzem em distâncias reais entre o pára-choques, o caixote de lixo e o muro; tudo isso enquanto você aplica uma leve pressão no acelerador e solta suavemente a embraiagem, e muito provavelmente, pede ao passageiro que por favor pare de mexer no rádio. Após executar esta tarefa várias vezes, não pensa mais nessas coisas e assim pode lembrar que esqueceu o relatório em cima da mesa da sala.

Onde estão instalados os hábitos para serem automáticos e não precisarmos de pensar para executar as tarefas? Segundo o neurologista Paul MacLean, numa divisão bem simples do cérebro dividida em 3 partes: uma parte mais primitiva que é chamada reptiliana, seguida de outra camada que é o cérebro mamífero e uma última, o neocórtex.

O neocórtex é responsável pela razão, sabedoria, invenções. O cérebro mamífero gere e analisa as emoções. O reptiliano comanda as funções involuntárias, músculos, respiração, digestão.

Se imaginarmos que o cérebro cresceu e se desenvolveu como uma cebola, por camadas, no centro temos o reptiliano e nas camadas de fora o córtex. É no centro do nosso cérebro que se instalam os hábitos e lá ficam até serem estimulados e entrarem em acção. No próximo artigo vou falar desse mecanismo.

“O homem é um animal de hábitos.” Charles Dickens

Até ao próximo artigo

Bruno Amaral

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Hábitos

“As nossas crenças transformam-se em pensamentos.

Os nossos pensamentos transformam-se em palavras.

As nossas palavras tornam-se acções.

As nossas acções tornam-se hábitos.

Nossos hábitos tornam-se valores.

E os nossos valores revelam o nosso destino”

Gandhi

“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.”

Aristóteles

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A nossa vida é influenciada pela qualidade dos nossos hábitos.

Os nossos hábitos guiam o nosso destino. Cultivar bons hábitos leva-nos ao sucesso. Os hábitos controlam a maior parte da nossa vida.

É bom ter a ilusão de que somos nós que estamos no comando, usamos a nossa mente para tomar as decisões que aparecem no nosso dia quotidiano. Na realidade estamos a seguir um conjunto de hábitos automáticos.

Os hábitos vão influenciar as nossas acções e comportamentos. Por exemplo, a forma e qualidade como nos alimentamos e gastamos o dinheiro define a nossa situação financeira, a quantidade de exercício físico que fazemos actua na nossa saúde, e o conjunto reflecte-se na nossa felicidade.

Cuidado com os hábitos negativos! É muito fácil deixar que hábitos negativos entrem na nossa vida, o que nos faz tomar atitudes que podem trazer consequências desastrosas. Por isso devemos utilizar o foco para criar hábitos positivos de forma consciente. As nossas atitudes mudam, e com elas os resultados desejados acontecem automaticamente, como consequência inevitável dos novos hábitos criados.

Mas será que conseguimos mudar hábitos antigos e que estão profundamente enraizados em nós? Como faço para criar um novo hábito? Existe alguma forma de o fazer? Quer saber a resposta a estas perguntas? Não perca os próximos artigos 🙂

Até lá,

Bruno Amaral

Mecanismos de Defesa do Ego

“A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos.”    Freud

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Depois de ter distinguido os conceitos de consciente e inconsciente, Freud introduz os conceitos de id, ego e superego:

Id: É a parte mais primitiva associado ao prazer, procura gratificação imediata, sem noção de bem, mal, moralidade, ética, valores ou juízo. É exigente, cego, egoísta, irracional.

Superego: Responsável pelas regras morais de decência, limite, do que é adequado. A sua função é inibir a satisfação do Id, através de punição ou sentimento de culpa aos impulsos que sejam contrários à consciência moral.

Ego: É o intermediário, o mediador. Cria mecanismos de defesa, protege e lida com a ansiedade produzida pelo Id por não serem atendidos os seus desejos. Os impulsos do Id são muitas vezes reprimidos pelo Ego por causa do medo de castigo.

Existem vários mecanismos de defesa. Vou deixar apenas alguns que sejam facilmente reconhecidos, e que prejudiquem a nossa produtividade.

Negação: É a defesa que se baseia em negar a dor, ou outras sensações de desprazer. É considerado um dos mecanismos de defesa menos eficazes pois é fácil de identificar. Podemos citar como exemplo o comportamento das crianças a “mentir”, negando acções que realizaram e que gerariam castigos. São processos geralmente inconscientes ou subconscientes (a pessoa que diz ser produtiva, mas durante o horário de trabalho vê vídeos, email de piadas, facebook e uma variedade de coisas não relacionadas com o seu trabalho).

Racionalização: Lógica favorável para os nossos interesses (exemplo: fui demitido porque não quis bajular o chefe, ou preciso levar trabalho para casa porque todos os colegas levam). A racionalização sobre algum facto não é apenas uma simples “explicação”, ela envolve um conjunto complexo de “explicações”, evitando assim ataques. Isto é, se uma for destruída haverá outra para substituí-la. O que difere a racionalização da dissimulação é o facto de que tais “explicações” não são simples mentiras. Geralmente não temos a intenção de enganar, simplesmente não estamos conscientes das deformações no nosso pensamento. Outro exemplo: quando chego ao local de trabalho penso “como trabalhei em casa, aqui posso descansar um pouco, eu mereço”.

Projecção: Consiste em passar um impulso interno para o exterior, pode ser uma pessoa ou objecto. Muitas vezes esses impulsos são inconscientes. A projecção ajuda a reduzir a ansiedade quando estou diante de um impulso indesejável sem saber (exemplo: um jogador de ténis que, ao perder uma partida, justifica a sua derrota e coloca a culpa na qualidade da raquete; ou tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, quando na verdade somos nós que estamos a agir hostilmente, enquanto a outra pessoa age normalmente.)

“O pensamento é o ensaio da acção.” Freud

Até ao próximo artigo,

Bruno Amaral

Faça uma pausa

“Os homens de génio às vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as ideias perfeitas que depois expressam e reproduzem com as mãos.” Leonardo da Vinci

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No mundo em que vivemos é valorizado o trabalho e a actividade, deixando para trás muitas vezes a renovação e recuperação. Os dois aspectos são importantes e necessários para ter uma alta produtividade.

Vários estudos feitos comprovam que conseguimos estar em concentração e atenção por um período de tempo que varia entre 90 a 120 minutos. Após esse tempo a nossa velocidade de percepção e assimilação baixa. É como se o nosso cérebro começasse a funcionar em câmara lenta, podendo algumas vezes até produzir visão dupla.

Para maximizar a sua produtividade, procure fazer uma pausa após esse período de tempo. Alterne com um tipo de actividade oposta à que estava fazer.

Se era uma actividade mental faça algo físico: caminhe um pouco, aproveite para alongar, suba escadas, converse sobre algo não relacionado.

Caso a actividade seja física: procure ler, ouvir uma palestra, um audiobook, aproveite e invista em conhecimento, aumente as suas competências.

Reserve um tempo para si e dedique esse tempo a um actividade de que goste muito, que lhe dê prazer, que o faça sentir-se realizado.

O conceito de maximizar o desempenho alternando períodos de actividade com períodos de descanso foi escrito pela primeira vez por Flavius ​​Philostratus (AD 170- 245), que escreveu manuais de treino para atletas gregos. Cientistas desportivos russos ressuscitaram este conceito na década de 1960 e começaram a aplicá-lo com um sucesso impressionante nos seus atletas olímpicos. Hoje, a relação “descanso/trabalho” estão no centro da periodização, um método de treinamento utilizado por atletas de elite em todo o mundo.

Por isso, se quer ser mais produtivo, faça pausas conscientes, procure gerir a sua energia.

Até ao próximo artigo.

Bruno Amaral

Ciclos

“O futuro é algo que cada um alcança a um ritmo de sessenta minutos por hora, haja o que haja, seja quem seja.” C. S. Lewis

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No nosso dia-a-dia estamos sob a influência de vários ciclos, que definem o nosso ritmo biológico.

O mais fácil de perceber é o ciclo diário, onde se baseia o ritmo biológico de quase todos os seres vivos, é designado de circadiano. Do latim circa: cerca de, + diem: dia, cerca de um dia, pois tem mais ou menos 24h.

Este é o mais importante pois ele é influenciado pela luz e temperatura, é responsável pela renovação, e acaba por influenciar os outros dois ciclos.

Não confunda o ciclo circadiano com o cronotipo, este último designa se a pessoa é matutina (tem mais facilidade de acordar cedo e trabalhar pela manhã, reduzindo assim a sua atenção à noite) ou vespertina (apresenta maior dificuldade para acordar cedo e o seu pico de atenção e trabalho é à tarde e noite, não madrugada).

Temos o ciclo infradiano que abrange todos os ciclos que têm mais de 28h. Inclui-se aqui um bem conhecido pelas mulheres, o ciclo menstrual. Incluem-se também o ciclo lunar e os meses. O último mais difícil de identificar, pois não existem referências ambientais para os mesmos. Lembro que antigamente utilizava-se o sol para saber as horas, e os ciclos da lua para os meses, referências ambientais.

Ultradianos são ciclos com períodos menores de 20 horas. No estado de vigília do ser humano (quando está acordado) têm uma variação de 90 a 120 minutos. Isto é muito importante quando queremos ser mais produtivos.

Mas isso deixo para o próximo artigo.

Bruno Amaral